terça-feira, 3 de março de 2020

O FALSO CRISTO DA MANGUEIRA


Demorei a expressar minha opinião sobre o enredo da Mangueira no carnaval de 2020 para fazer isto baseando-me nos fatos. Para tanto, examinei a letra do samba enredo e assisti o vídeo do desfile. Percebe-se claramente, ao confrontá-los com os Evangelhos, que o Cristo do desfile da Mangueira não é o Cristo da Bíblia. Causa-me perplexidade e tristeza ler opiniões de evangélicos, até pastores, elogiando o desfile daquela escola de samba.

Vejamos, portanto, as principais incoerências:
  1. Logo no início do desfile, Jesus é apresentado com os seus apóstolos, e eles são funkeiros que são atacados pela polícia. Nada contra manifestações culturais, e nem podemos fazer generalizações absurdas afirmando que todo frequentador de baile funk tem ligação com o crime organizado. Mas é divulgado pela imprensa o que ocorre nestes bailes: tráfico e consumo de drogas, sexo livre e irresponsável, aliciamento e corrupção de menores. Traficantes promovem ou frequentam esses bailes, onde muitas vezes aparecem ostentando seus fuzis. Entre os apóstolos havia representantes de várias classes sociais: pescadores, funcionários públicos. Mas nenhum contraventor, beberrão ou dado a farras. Todos os apóstolos eram trabalhadores dedicados e íntegros (com exceção, é claro, de Judas Iscariotes, que roubava o dinheiro de Jesus e dos apóstolos).
  2. A ala das baianas exibiu mães de santo com um grande crucifixo às costas, como se estivessem crucificadas. À primeira vista seria uma apologia ao sincretismo religioso. Mas, segundo o comentarista do desfile, a ideia era denunciar que a umbanda tem sido vítima da intolerância religiosa. Quando uma facção de traficantes começou a depredar e fechar centros de umbanda, a mesma emissora de TV fez uma reportagem insinuando que a responsabilidade era dos evangélicos. Nós, evangélicos, defendemos a tolerância religiosa. Cada indivíduo tem o direito de professar livremente sua fé. E é oportuno lembrar o fato histórico de que os primeiros a proporem e defenderem este direito foram os anabatistas (precursores dos batistas) ainda no Século XVI. Entretanto, expressar nossa opinião sobre outras religiões ou formas de conduta não constitui intolerância religiosa, mas direito de expressão garantido em nossa constituição. Mas, muito pior que esta vitimização da umbanda, é substituir Cristo na cruz por qualquer outra pessoa.
  3. O carro alegórico que apresenta a imagem de Jesus crucificado carrega, em torno dele, representantes de minorias também crucificados. A ideia era apresentar o sofrimento destas minorias como vítimas da sociedade. Assim, Jesus é reduzido a mais uma vítima da sociedade, entre outras.
  4. A letra do samba enredo apresenta Jesus, entre outras coisas, com corpo de mulher. Trata-se, no mínimo, inverdade histórica. Os Evangelhos, melhores e mais confiáveis documentos históricos sobre Jesus, o apresentam como homem, sexo masculino. Mesmo sob o pretexto de lutar pelos direitos da mulher, não se deve tentar mudar a pessoa de Cristo.
  5. Jesus também é apresentado como “moleque pelintra do buraco quente”. Blasfêmia. Buraco Quente é o nome do lugar onde havia o ponto de venda de drogas mais movimentado da mangueira. Pelintra é o pobre que se veste de maneira a parecer de classe mais elevada, ou seja, que quer ostentar. Portanto, moleque pelintra é alusão ao traficante adolescente que vive a cultura de ostentação própria do tráfico. Foram longe demais ao identificar Jesus com os traficantes.
  6. Outro verso do samba enredo afirma que Jesus é encontrado “no amor que não encontra fronteiras”. Pelo discurso de “defesa das minorias” deste enredo, obviamente trata-se de alusão a todo tipo de relacionamento sexual ou afetivo, conforme proposto e defendido pela ideologia de gênero. Outra mentira absurda a respeito de Jesus. Ele prestigiou e família e o casamento heterossexual (o único ensinado na Bíblia). Condenou o divórcio praticado por motivos fúteis, e perdoou uma mulher adúltera mediante a condição de que não cometesse mais aquele pecado (João 2:1-12, Marcos 10:1-12, João 8:1-11). O apóstolo Paulo, seu fiel seguidor, condenou o homossexualismo como pecado (I Coríntios 6:9-10, I Timóteo 1:9-10). O verdadeiro amor fica dentro das fronteiras do plano de Deus, que nos criou como homens e mulheres, e instituiu casamento monogâmico e heterossexual como base da família para o nosso próprio bem. Se alguém prática outra forma de relacionamento afetivo e sexual, precisa arrepender-se, pedir perdão a Deus e buscar ajuda para seguir o que Deus planejou. Viver o “amor sem fronteiras” só conduz ao vazio, solidão e autodestruição. Corro o risco de ser acusado de homofobia, mas expressar esta opinião é meu direito constitucional. E esse esclarecimento é para o próprio bem daqueles que enveredaram por essas escolhas.
  7. Após os erros sobre a pessoa de Jesus, são apresentados erros sobre sua missão. O samba enredo declara que Jesus nasceu “de punho cerrado”, que devemos procurá-lo “nas fileiras contra a opressão”, e ao final Jesus dá a sua mensagem: “Favela, pega a visão, Não tem futuro sem partilha”. Ou seja, Jesus é apresentado como alguém que lutou contra a opressão, o exemplo para aqueles que devem hoje lutar pela “justiça social” do marxismo que prega, entre outras coisas, a justa partilha do capital por meio da revolução contra os opressores. Assim a esquerda justifica os assaltos a bancos nos anos setenta, a criminalidade, tráfico de drogas, etc. como formas “legítimas” dos oprimidos lutarem e “expropriarem” o capital dos “opressores”.
Fica muito claro que o Cristo apresentado não é o Jesus da Bíblia, mas o que foi engendrado pela Teologia da Libertação e é abraçado pela esquerda marxista, pois adequa-se perfeitamente à sua dialética de luta de classes. Essa “teologia”, embora professada pela ala progressista da igreja católica, não foi bem aceita entre a maioria dos evangélicos e passou por uma reformulação, originando a Teologia da Missão Integral que, entretanto, mantém a análise social marxista em sua maneira de pensar e definir a missão da Igreja.

Se pessoas ou instituições querem fazer protestos sociais e políticos, é seu direito. Mas não devem sacrificar a verdade pervertendo-a, especialmente a respeito de Cristo, mesmo sob a pretensa justificativa de que é uma “releitura”, ou “novo discurso”. A verdade se prende aos fatos e não a uma interpretação subjetiva.

O verdadeiro Cristo é o Jesus apresentado na Bíblia: Deus que se fez homem para, por meio de seu sofrimento na Cruz levando sobre si o castigo de nossos pecados, graciosamente dar perdão e vida eterna com Deus a todo aquele que crê nele de todo coração e se arrepende de seus pecados (Filipenses 2:5-11, João 1:1-14, Lucas 19:10, II Coríntios 5:19, João 3:16, Marcos 1:14-15, Atos 3:19). Ele próprio recusou ser feito rei terreno dos judeus e ensinou que seu reino é espiritual (João 6:15, Lucas 17:20). Ele ensinou o amor ao próximo, condenou a hipocrisia e o amor ao dinheiro, mas nunca ensinou revolução ou desrespeito às autoridades. Quando questionado se era correto pagar impostos aos dominadores romanos respondeu: dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:17-22).

O próprio Lenin afirmou que era necessário um “novo homem” para que os ideais da revolução marxista se concretizassem totalmente. Mas o marxismo não conseguiu produzi-lo. Somente o verdadeiro Cristo tem poder para nos fazer verdadeiramente capazes de amarmos e respeitamos o nosso próximo. Para isto é necessário que permitamos que Ele transforme todo o nosso ser. Assim, amaremos a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos (II Coríntios 5:17, Gálatas 5:16-25, Mateus 22:37-39).

Não precisamos de outro Cristo. É mais do que suficiente para todos nós o verdadeiro Jesus Cristo e sua preciosa graça salvadora e transformadora.
Dalton de Souza Lima

terça-feira, 28 de maio de 2019

A SEDUÇÃO DA “FELICIDADE”


Psicólogos e filósofos estão discutindo com mais atenção a busca das pessoas pela felicidade. O conceito de felicidade pode variar conforme a pessoa, mas geralmente ela é vista como ausência de problemas, bem-estar constante, posse de bens materiais, gozo dos prazeres carnais. Os estudiosos também descobriram que a busca obsessiva deste tipo de “felicidade” leva à frustração, pois, mesmo ao alcança-la, ela não é capaz de proporcionar verdadeira satisfação e paz interior. O autor do livro de Eclesiastes fala sobre esta sua busca e sua frustração.

Muitas pessoas mostram-se seduzidas por este tipo de felicidade, e buscam-na compulsivamente. Entretanto, a Bíblia apresenta a verdadeira felicidade justamente como o oposto de tudo isto que o mundo busca. Jesus afirmou que verdadeiramente felizes são os humildes de espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os limpos de coração, os pacificadores, os que são perseguidos por praticarem a justiça de Deus e serem seguidores de Cristo (Mateus 5:1-12).

A verdadeira felicidade não está neste mundo, mas nos é dada por Deus quando vivemos realmente como cidadãos de seu reino. E só alcançamos isto quando permitimos que o Senhor Jesus purifique nossas vidas pelo seu sacrifício na cruz, dando-nos a certeza de participarmos de seu reino eterno (Apocalipse 22:14) Não se deixe seduzir pela “felicidade” que logo passa. Busque em Jesus a felicidade eterna.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

UMA SÉRIA AMEAÇA AO PROGRESSO DO PAÍS

A briga entre Olavo de Carvalho e os generais do planalto está sendo uma oportunidade "de ouro" para o segmento "progressista" da imprensa tentar enfraquecer o governo do presidente Jair Bolsonaro, ensejando o retorno da esquerda à cena política. Temos uma imprensa, com exceções, dominada pelo marxismo cultural e/ou por interesses econômicos. Sabiamente, o presidente tem procurado encerrar o episódio elogiando as qualidades de todos os envolvidos e apelando para que "virem a página". Entretanto, parte da imprensa continua alimentando o imbróglio, e os envolvidos fazem o joguinho que ela quer: um xinga e o outro responde.

Três tipos principais de eleitores aderiram às propostas eleitorais do presidente Bolsonaro e votaram nele: os simpatizantes da economia liberal, os conservadores da ética judaico-cristã, e os militaristas. E estas três forças políticas estão presentes em seu governo. Os militares do governo, traumatizados pela opinião da academia e da imprensa a respeito da ditadura militar (ou governo militar, como queiram nominar), fazem tudo para serem bem falados pela imprensa, e ocasionalmente até declaram ideias e agendas "progressistas", contrariando os eleitores conservadores que levaram Bolsonaro à vitória na eleição presidencial.

Muitos conservadores, e parece que também os filhos do presidente, simpatizam com as análises políticas do escritor Olavo de Carvalho. Não é verdade, como alguns divulgam, que trata-se de um astrólogo oportunista, um Rasputin tropical que manobra o governo. É um escritor muito inteligente e culto, que contribuiu para alertar boa parcela dos eleitores quanto ao perigo do projeto da esquerda no Brasil. Entretanto, um é o Olavo de Carvalho escritor, e outro o que troveja e xinga nas redes sociais (não poupa nem a nós evangélicos, opinando sobre o que não conhece). Embora muitas vezes tenha razão em suas análises do momento político, e até para suas indignações, mostra-se arrogante e sem educação ao disparar sua metralhadora verbal sem medir consequências. Por outro lado, falta traquejo político aos generais atacados, pois devem calar-se, e não responder às ofensas, pois isto só alimenta os ímpetos do mencionado escritor. O vice-presidente general Mourão já percebeu e recomendou isto.

O resultado desta "picuinha das redes sociais" é que o segmento esquerdista da imprensa encontrou oportunidade para seus objetivos nocivos às reformas econômicas, políticas e culturais que tanto necessitamos:
1. Faz desta picuinha uma " cortina de fumaça" que desvia a atenção das articulações tão necessárias quanto aos projetos encaminhados ao congresso;
2. Desgasta a imagem do governo diante de seus aliados e da opinião pública;
3. Incita um "racha" entre as forças políticas que apoiam o presidente, procurando inviabilizar seu governo.
Com tudo isto só ganham as forças da esquerda marxista e o viciado centrão, que querem retornar ao centro do protagonismo político.

Tanto Olavo de Carvalho quanto os generais envolvidos na questão deveriam lembrar que, em prol de uma causa maior e mais nobre, os egos devem ser sacrificados. Eventuais discórdias devem ser tratadas internamente, e quando necessário, cabe ao presidente as devidas correções. A sabedoria e o bom senso devem imperar sobre ambas as partes. Se não, assistiremos à derrocada de todo o esforço dos eleitores e à uma catástrofe nacional.

terça-feira, 29 de maio de 2018

O BRASIL VOLTARÁ AO NORMAL?

      Tenho procurado garimpar informações sobre o que de fato está acontecendo em nosso país: as verdadeiras causas e consequências desta greve que está deixando o nosso país transtornado. Parece que a imprensa tem medo de se comprometer e está encobrindo muitos fatos. Por outro lado, a internet está cheia de notícias falsas, mas apesar disso, há alguns vídeos recentes que parecem verdadeiros. Após filtrar fontes, avaliar e comparar notícias, julgo ter apurado alguns fatos:
1. O gabinete da crise convocado pelo presidente está desorientado. Ontem (28 de maio de 2018) anunciaram que estavam investigando quem seriam os "infiltrados" na greve (Jornal Nacional).
2. Câmara e Senado em polvorosa. Muitos discursos contra o presidente e a empresa que detém o monopólio dos combustíveis em nosso país (Canais de TV oficiais e YouTube).
3. Milhares de pessoas na Praça dos Três Poderes, em Brasília, ontem a noite (28 de maio de 2018) gritando "fora Temer" (vídeos no YouTube).
4. Desabastecimento de clínicas e hospitais (Jornais).
5. Presidente do Sindicato dos Petroleiros anunciando que entrarão em greve amanhã (YouTube).
6. Deslocamento de tropas e blindados para várias capitais e para Brasília (YouTube).
7. Multidão fazendo manifestação em frente a casa do general da Academia Militar Agulhas Negras.
8. Governo federal prepando novo pacote de tributação para compensar a diminuição e retirada dos tributos no preço do óleo diesel (Jornais).
      Portanto, não parece que o Brasil esteja caminhando de volta à normalidade. E para ser franco, normalidade é algo que a muito tempo não existe em nosso país. Durante os três governos petistas que tivemos, uma política artificial de preços manteve os preços baixos dos combustíveis. Enquanto isso, a Petrobrás era assaltadada pelo governo petista para financiar a compra de votos no Congresso visando seu projeto de tomada do poder e fazer uma constituição marxista para o Brasil. E mais: durante os mandatos presidenciais petistas o governo trabalhou para fortalecer o monopólio estatal dos combustíveis. Agora, nós pagamos a conta da Petrobrás, principalmente os caminhoneiros. E outras consequências gravíssimas ainda podem acontecer. Temos todos os três poderes completamente desmoralizados, corroídos por aparelhamento ideológico, ou corrupção, ou incompetência, e muita insensibilidade diante dos problemas do povo.
      Mas isso não é o pior da anormalidade de nosso país. O povo também tem se afastado de Deus. Temos hoje uma cultura totalmente humanista, hedonista e equerdizada, onde os valores foram completamente invertidos. Professores ensinam nas universidades que temos que nos livrar dos valores judaico cristãos se queremos ser felizes. O adultério é aceito como algo normal, e o homossexualismo é chique. E a família é atacada em toda parte (o pior ataque vem por meio das telenovelas), estando em franca desintegração. A permissividade e a pornografia são toleradas e incentivadas. O uso de drogas também já é aceito como algo recreativo que deve ser descriminalizado, bem como o tráfico. Os sinais desta sociedade doente já se vêem por toda parte: desonestidade, egoísmo, injustiça social, criminalidade, depravação, crescimento da AIDS. Nosso país é normal?
      Acorda povo brasileiro e se volta pra Deus! Ele é a verdadeira resposta para a felicidade de cada um de nós e de toda a nação. É necessário buscar a Deus com arrependimento de todos os pecados, e total submissão e confiança em sua misericórdia. Deus enviou Jesus ao mundo pra dar vida eterna e transformar a cada um de nós. E quando, por meio da fé, o recebemos em nossos corações, entre outras coisas, nosso caráter é completamente transformado e podemos contar com a sabedoria de Deus. Assim, somos capacitados a mudar a realidade ao nosso redor (João 3:16, II Coríntios 5:17, Mateus 5:16).
      E a nós, crentes em Cristo, povo de Deus, cabe-nos a responsabilidade ainda maior de vida coerente com o Evangelho, dando verdadeiro testemunho de Cristo em todas as áreas da vida. Como cidadãos responsáveis exerçamos o voto com responsabilidade. Precisamos também de verdadeiros servos de Deus atuando na política, e que não se corrompam e nem se intimidem. E acima de tudo, oremos fervorosa e insistentemente pela nossa nação (I Timóteo 2:1-8).
      Só há uma maneira de mudar totalmente o Brasil, que é deixando que Deus mude primeiro a cada um de nós. Brasileiros, olhemos pra cima. Olhemos pra Deus.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

A DESFAMILIARIZAÇÃO DA MULHER E A VILANIZAÇÃO DO HOMEM

        Por ocasião do último Dia Internacional da Mulher (8 de março de 2017) o Presidente da República foi criticado pela mídia e pelo movimento feminista por afirmar que a mulher é fundamental à felicidade do lar. Isto é somente um dos indicativos do objetivo do atual movimento feminista de desfamiliarizar a mulher, e neste processo, vilanizar o sexo masculino.
        É importante fazer distinção entre o atual movimento feminista, e os movimentos do século XIX e primeiras décadas do século XX que lutaram pelos direitos das mulheres, como o de votar e o de igualdade salarial com os homens. O atual movimento feminista está impregnado pela dialética simplista do marxismo, que divide a sociedade entre oprimidos e opressores e propõe a luta de classes. Segundo a ótica feminista, a mulher é a oprimida, e o homem o opressor. É difícil precisar quem imprimiu ao movimento os conceitos marxistas, mas Simone de Beauvoir e as autoras feministas que se seguiram apontam nesta direção.

O feminismo atual falha com a verdade ao vilanizar o homem
        Repudiamos toda forma de agressão e injustiça, e é inegável que, devido à distorções sócio-culturais, ao longo da história as mulheres foram vítimas de opressão e violência. Entretanto, o passado não justifica uma generalização simplista quanto ao sexo masculino e nem a supressão do importante papel familiar da mulher. Embora ainda existam distorções e comportamentos a serem corrigidos, a mulher ocidental vive uma situação bem mais favorável, com leis que asseguram sua proteção e seus direitos. Contudo, as empresas midiáticas têm nos apresentado artigos, entrevistas e reportagens que vitimizam exageradamente o sexo feminino e vilanizam o sexo masculino, conclamando as mulheres a aderirem à luta do movimento feminista.
        Este processo em curso de desfamiliarização da mulher e vilanização dos homens, colocando-os em posições antagônicas, contribui para o enfraquecimento da família e da sociedade. Assim, aumentam os males que o próprio feminismo afirma combater. Por exemplo: no último dia internacional da mulher os telejornais divulgaram que nos últimos dez anos aumentaram os índices de violência contra a mulher no Brasil. Contudo, durante esse período, e também nos anos que o antecederam, houve maciça incorporação dos valores feministas ao ideário ético do “politicamente correto”, e ampla divulgação destes valores pela mídia. Porque então esta forma de violência, bem como todas as outras, aumentou em vez de diminuir? Tudo isto coincide com o enfraquecimento da família, dos valores morais, e do temor a Deus que tem acontecido de forma avassaladora nos últimos anos. Coincide também com as empresas midiáticas expondo a violência de forma banalizadora, e erotizando exageradamente a nossa sociedade. Toda forma de violência é deplorável e condenável, mas também é malicioso focar de maneira distorcida exclusivamente a violência contra a mulher, esquecendo-se do contexto maior em que ela se insere, fazendo dela instrumento para uma agenda ideológica, e deixando de enxergar e combater as verdadeiras causas.
        O discurso do movimento feminista apresenta a mulher como permanentemente oprimida e desrespeitada pelos homens. Ativistas deste movimento são hábeis em brandir estatísticas para provar seu ponto de vista. Contudo, sua exatidão depende de vários parâmetros, e também de estudos comparativos com outras estatísticas. Acontece, portanto, uma generalização perigosa, em que a maioria dos homens é apresentada como homens violentos e sem afeto, prontos a usar as mulheres sem escrúpulo algum desrespeitando todos os seus direitos. Tal movimento apresenta de maneira sutil a ideia de que o indivíduo possui virtudes pelo simples fato de ser oprimido (subjaz na base dos atuais movimentos feministas este e outros conceitos do velho corolário marxista). Porém as virtudes de um indivíduo independem de sua condição social, cor ou sexo, mas sim de seu caráter que se expressa em sua maneira de agir. Ao realizar esta perversa generalização das virtudes da mulher e da maldade do homem, o movimento feminista está indo longe demais em seu maniqueísmo simplista resultante da dialética marxista de opressores e oprimidos.

O feminismo mantém a mulher oprimida ao desfamiliarizá-la
        Quanto à libertação da mulher de sua condição de oprimida, o movimento feminista vai a extremos tremendamente preconceituosos e destrutivos. Muitas teóricas do movimento feminista (como Simone de Beauvoir e Kate Millet) sugerem que a mulher precisa libertar-se de seu papel de esposa e mãe, e exercer sua sexualidade livremente, dentro e fora do casamento, com os parceiros ou parceiras que desejar. Ou seja, a mulher precisa libertar-se também de seu papel na família e de sua fidelidade conjugal. Tais propostas fundamentam-se, em última análise, nos postulados marxistas que tanto influenciaram o feminismo atual. Em seu livro “Origem da Família, Propriedade e Estado” Marx e Engels apresentam a família como instituição burguesa, fruto do desejo de perpetuação da posse de bens aos descentes. Neste livro, ambos os grandes teóricos da esquerda abraçam a teoria de que, antes do surgimento da família, os humanos viviam em bandos onde tudo era coletivo, inclusive o sexo e a criação dos filhos. Portanto, para o marxismo homens e mulheres são livres para relacionarem-se sexualmente como desejarem, e a função de ambos é trabalhar para atender as necessidades da sociedade. As crianças devem ser supridas e educadas pelo estado.
        Assim influenciado pelo marxismo, o feminismo prega a desfamiliarização da mulher: Ela deve relegar seus laços e responsabilidades familiares, ao mesmo tempo em que exerce sua “liberdade” sexual. É importante ressaltar que o feminismo afirma que a mulher não deve sujeitar-se à posição de objeto sexual, mas ao mesmo tempo incentiva-a a lançar-se às aventuras sexuais como expressão de liberdade. Embora escolha seus parceiros sexuais, a mulher feminista continua presa a uma condição sexista ao servir a desejos aventurescos e irresponsáveis, não só de si mesma como também de outros. No fim das contas, sob a alegação de resolver o problema da opressão e do desrespeito, o feminismo nega à mulher sua realização familiar e acentua sua condição de objeto sexual.

A Bíblia afirma a dignidade da mulher, do homem, e da família, e contém a resposta para relacionamentos saudáveis.
        O que a Bíblia ensina sobre tudo isto? Nos meios acadêmicos é propalada a afirmação infundada de que a tradição judaico-cristã é responsável pelos males do ocidente. Isto não é verdade. Poucos dos que sustentam esta afirmação conhecem a Bíblia e a história suficientemente para tentar fundamentar uma argumentação consistente a favor desta tese falaciosa. O pouco que conhecem é de “segunda mão” e sob a ótica do marxismo cultural. Por isso frequentemente encontrarmos exposições de preconceitos sobre esta questão. Na verdade, muitas distorções éticas e comportamentais legadas ao ocidente pela civilização greco-romana foram corrigidas pelos princípios da Bíblia. No que diz respeito à condição da mulher, houve grande contribuição do cristianismo. Por exemplo, a mulher não precisava ser amada e estimada pelo marido na cultura greco-romana. O homem possuía liberdade e oportunidades de realização, enquanto a mulher era literalmente sua propriedade. O apóstolo Paulo ensinou que os maridos deveriam amar suas esposas como Cristo amou a igreja, sacrificando-se por elas (Carta de Paulo aos Efésios, capítulo 5 versos 22 a 33). Hoje isto pode soar como óbvio, mas naquele contexto foi totalmente revolucionário, e mostrou aos homens a grande importância da mulher. Portanto, creio que é extremamente benfazejo atentar para o que a Bíblia apresenta sobre os dois sexos, seu papel e o seu relacionamento. Muitos alegam que, no mesmo texto, Paulo ordena a submissão da mulher ao homem, evidenciando a irrelevância da Bíblia para o contexto contemporâneo. Mas uma leitura atenta do texto citado e de outros textos bíblicos demonstram o seguinte: 1) A ordem é de submissão ao marido, não a todos os homens. 2) Não é uma forma de submissão cega e indigna, mas trata-se de respeitar um líder no lar que exerce a liderança priorizando o bem-estar da esposa e filhos, conforme a Bíblia deixa bem claro. 3) Tal forma de liderança inclui diálogo e entendimento (Amós 3:3). O princípio da liderança está presente em todas as instituições sociais. Porque não estaria presente no lar? A Bíblia, portanto, afirma princípios essenciais ao relacionamento harmonioso entre os dois sexos, que transcendem épocas e culturas. Ela afirma a dignidade da mulher, condena a violência, afirma sexualidade digna e responsável para o homem e a mulher, exercida somente no casamento. Seu ensinamento é que homem e mulher devem completar-se, e não concorrer entre si.
        A sociedade precisa entender e aceitar que a mensagem da Bíblia é o verdadeiro agente transformador para alcançarmos relacionamentos saudáveis. Ela revela que os relacionamentos são imperfeitos e muitas vezes fracassam por causa da natureza egocêntrica do ser humano, corrompida pelo pecado. Tal egocentrismo resultante do pecado corrompe também as instituições e estruturas sociais. Somente uma transformação total na natureza dos indivíduos, que os torne em altruístas, voltados para Deus e para o próximo, pode resultar em relacionamentos saudáveis. A Bíblia ensina que tal transformação é operada por Deus mediante o arrependimento dos pecados e a fé em Cristo. Milhões de pessoas têm experimentado vidas e relacionamentos restaurados e felizes ao decidirem praticar os ensinamentos da Bíblia.
        Propostas humanas nunca trarão real felicidade. O atual ideário ético do “politicamente correto” está repleto de erros e distorções, como as propostas do feminismo marxista. A solução é voltar-se para a sabedoria de Deus, nosso Criador, e para a fé em Cristo, ensinados na Bíblia.
Dalton S. Lima